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Guimarães e as Festas Nicolinas: Uma Tradição Estudantil Única

Do cortejo do Pinheiro às cantorias noturnas no centro histórico, as Festas Nicolinas transformam Guimarães no palco de uma das mais antigas tradições estudantis de Portugal.

29/08/20262 min de leitura
Guimarães e as Festas Nicolinas: Uma Tradição Estudantil Única

Foto: Students carrying the Pinheiro through the streets of Guimarães

A primeira vez que entrei em Guimarães no início de dezembro, esperava calçada silenciosa e frio no ar, nada mais. Em vez disso, encontrei todo o centro histórico a vibrar com vozes jovens, instrumentos de metal e o cheiro a castanhas assadas nas esquinas. As Festas Nicolinas, realizadas todos os anos entre 29 de novembro e 7 de dezembro, são uma tradição mantida quase inteiramente pelos estudantes de Guimarães, que transformam a cidade num palco de ruído, cor e ritual secular em honra de São Nicolau, padroeiro dos estudantes.

O coração da celebração é o Pinheiro, uma árvore alta cortada nas colinas vizinhas e transportada até à cidade aos ombros de dezenas de estudantes. Ao ver o cortejo serpentear pelas estreitas ruas medievais, com tochas a tremeluzir e tambores a bater, percebe-se bem porque é que os locais falam das Nicolinas com tanto orgulho. Junto ao Pinheiro surge a Dança do Pinheiro, uma dança animada executada à volta da árvore assim que chega ao seu destino, e as Posses, esquetes satíricos que zombam de assuntos locais e nacionais e mantêm a multidão a rir até altas horas.

Igualmente encantadoras são as pequenas tradições, como as Novenas, encontros noturnos onde os estudantes cantam canções tradicionais pelas ruas, passando de porta em porta de uma forma que parece mais um costume popular vivo do que um espetáculo montado. Depois há as Maçãzinhas, maçãs decoradas e oferecidas como sinal de afeto, um gesto doce que suaviza toda a gritaria e batuque com algo mais terno. Lembro-me de comprar uma numa banca perto do Largo da Oliveira e de me dizerem, meio a brincar, que traria sorte para o ano seguinte.

Tudo isto acontece com o pano de fundo de uma das cidades medievais mais bem preservadas de Portugal. Guimarães é muitas vezes chamada o berço da nação, e passeando pelas suas ruas de granito de dia, antes de começarem as festividades noturnas, pode-se subir ao Castelo de Guimarães, com as suas torres austeras a olhar sobre os telhados vermelhos, e descer depois ao Paço dos Duques de Bragança, um imponente palácio do século XV cheio de tapeçarias, armaduras e ecos da realeza portuguesa. O contraste entre esta história solene e a alegria ruidosa das Nicolinas é parte do que torna uma visita de dezembro tão memorável.

Se não conseguir visitar no inverno, Guimarães tem outro lado que vale a pena conhecer, as Festas Gualterianas no início de agosto, um festival municipal maior com desfiles, mercados e fogo de artifício em honra de São Gualter. Mas para algo mais autêntico e íntimo, ligado aos ritmos da vida estudantil e não a uma cerimónia oficial, nada se compara às Nicolinas. Leve roupa quente, paciência para becos apinhados e apetite para castanhas, e deixe que os estudantes lhe mostrem a sua cidade.

FAQ

Quando se realizam as Festas Nicolinas?
Decorrem entre 29 de novembro e 7 de dezembro, centradas no dia de São Nicolau, padroeiro dos estudantes.
O que é o Pinheiro?
É uma árvore de pinheiro cortada e transportada pelas ruas pelos estudantes, num cortejo ruidoso e festivo, um dos momentos mais icónicos das festas.
Os visitantes podem participar?
Sim, a maioria dos eventos decorre em praças e ruas públicas, e os visitantes são bem-vindos para assistir aos cortejos, Novenas e danças tradicionais.
É o mesmo que as Festas Gualterianas?
Não, as Festas Gualterianas realizam-se no início de agosto e são uma celebração municipal diferente e mais abrangente, em honra de São Gualter.
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