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Surf de Ondas Grandes na Nazaré: Onde Ver, Quando Ir e O Que Se Sente

O surf de ondas grandes na Nazaré é tanto desporto de espetadores como disciplina. Eis o miradouro, a época e o hábito de ver previsões que decide o seu dia.

04/08/20263 min de leitura

O surf de ondas grandes na Nazaré existe por causa de um buraco no fundo do mar. O canhão da Nazaré tem cinco quilómetros de profundidade e aponta diretamente à Praia do Norte, canalizando a ondulação do Atlântico para uma parede de água que pode passar dos vinte metros. Não é preciso surfar para gostar. Numa boa manhã de inverno, alguns milhares de pessoas ficam no promontório com o café a arrefecer na mão, e quase ninguém fala.

Onde ver

O Forte de São Miguel Arcanjo, o pequeno forte com farol vermelho na ponta do promontório, é o sítio certo. Sai-se do Sítio, a povoação de cima, e olha-se para o pico de uns oitenta metros de altura. Chegue antes das nove num dia com previsão boa, porque a estrada enche e o último troço passa a ser um arrastar lento. Se o forte estiver cheio, o caminho da falésia a norte dá o mesmo ângulo com mais espaço e menos guardas, por isso mantenha as crianças por perto.

O ascensor da parte baixa até ao Sítio custa poucos euros e poupa as pernas. Passa de quinze em quinze minutos e enche, por isso compre o bilhete de ida e volta cedo.

Quando ir

A época vai de outubro a março, e os dias maiores concentram-se do final de novembro a janeiro. A ondulação chega com as depressões do Atlântico Norte, o que significa que os dias gigantes são anunciados com três ou quatro dias de antecedência. Veja o Windguru ou as páginas de tow surf da Nazaré e procure período acima de dezasseis segundos com direção oeste ou noroeste. Abaixo de doze segundos vai encontrar uma praia cinzenta e sem ninguém.

O verão é outra vila. A Praia da Nazaré, abrigada, em frente ao bairro piscatório, é calma e boa para famílias a partir de junho, e os restaurantes de peixe deixam de aceitar reservas depois das oito.

O que se sente ali

O som chega primeiro. Não é um estrondo, é uma pancada grave que se sente pela rocha. As motas de água parecem insetos. O surfista desaparece tanto tempo que a multidão se cala, depois sobe um jato de espuma e todos respiram ao mesmo tempo. Os fotógrafos de teleobjetiva alinham-se no muro, e os que conhecem o sítio trazem luvas, porque o vento naquele promontório é duro mesmo com sol.

Notas práticas

O estacionamento no Sítio é limitado e quase todo pago; os parques gratuitos ficam na vila e são quinze minutos a subir. Leve casaco corta-vento, não guarda-chuva, porque as rajadas destroem-nos. O museu da onda, dentro do forte, custa poucos euros e conta com honestidade como o local foi estudado e surfado. Depois, coma na parte baixa, onde as sardinhas assadas no verão e a caldeirada no inverno continuam mais baratas do que em Lisboa.

Se quiser surfar em vez de ver, não entre na Praia do Norte. Quem está a começar fica na Praia da Nazaré ou mais a sul, em Peniche e Supertubos, onde as escolas e os bancos de areia servem para aprender. Para uma semana mais suave na água, o nosso guia de surf camps no Algarve cobre a costa para iniciantes.

FAQ

Quando são as maiores ondas na Nazaré?
Entre o final de novembro e janeiro, quando as depressões do Atlântico Norte enviam ondulação de período longo para o canhão. A época alargada vai de outubro a março.
Os iniciantes podem surfar na Nazaré?
Na Praia do Norte não. Quem começa surfa na Praia da Nazaré, abrigada, com escola, ou vai a Peniche, onde os picos de praia perdoam muito mais.
Ver as ondas grandes é gratuito?
Sim. O promontório e os caminhos da falésia são abertos e gratuitos. Só o museu da onda, no farol, cobra alguns euros de entrada.
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