Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres: a Semana Mais Comovente de Ponta Delgada
No quinto domingo depois da Páscoa, Ponta Delgada enche-se de pétalas, emigrantes que regressam e uma das procissões mais sentidas de Portugal.
Há um silêncio particular que se instala em Ponta Delgada nos dias antes do quinto domingo depois da Páscoa, mesmo antes de o alvoroço começar. Os comerciantes varrem as entradas das lojas com mais cuidado do que o habitual, chegam famílias ao aeroporto com malas mais pesadas do que o normal, e algures numa sala das traseiras de uma casa perto do Convento da Esperança já alguém está a separar pétalas de hortênsia por cor. É o prenúncio da Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres, a mais importante celebração religiosa dos Açores, que muda o ritmo de toda a cidade.
O coração da festa é a imagem de Cristo, guardada durante o ano no Convento da Esperança, que no dia da procissão é levada por ruas transformadas durante a noite em tapetes de flores. Os vizinhos trabalham noite dentro a dispor pétalas, folhas e areia colorida em desenhos que levaram horas a planear e que serão pisados em minutos. Ninguém se importa. É esse o sentido. A beleza deve ser passageira, oferecida e não guardada, e mal a procissão passa já alguém começa, com calma, a varrer tudo.
O que distingue esta festa de outras celebrações religiosas em Portugal é quem a ela regressa. Milhares de emigrantes açorianos a viver nos Estados Unidos e no Canadá, muitos deles de segunda ou terceira geração, voam de volta a São Miguel especificamente para esta semana. Ouve-se isso mesmo nas ruas, inglês e português misturados na mesma mesa de café, primos que só se veem uma vez por ano a abraçarem-se à porta da igreja. Para as famílias com raízes na ilha, isto não é turismo, é regresso a casa, e a cidade inteira parece abrir espaço para isso.
Depois dos dias mais intensos da festa vale bem a pena alargar a visita ao resto de São Miguel. As Sete Cidades, com as suas duas lagoas de cores contrastantes dentro de uma cratera vulcânica, ficam a pouco mais de meia hora de carro e recompensam quem chega cedo, antes da neblina habitual da manhã. Furnas oferece outro tipo de paisagem: fumarolas a fervilhar junto ao lago, águas termais onde se pode mergulhar depois de um dia de caminhada, e o famoso cozido das Furnas, cozinhado lentamente durante horas no calor natural do solo vulcânico e servido ainda fumegante.
Para fechar a viagem, um passeio de observação de baleias e golfinhos que parte de Ponta Delgada ou de Vila Franca do Campo mostra outra face das ilhas, a das águas profundas do Atlântico que rodeiam este arquipélago vulcânico. Entre a devoção sentida nas ruas da cidade e a natureza generosa do resto da ilha, a semana da Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres acaba por ser uma das formas mais completas de conhecer São Miguel.
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FAQ
- Quando se realiza a festa?
- Celebra-se no quinto domingo depois da Páscoa, com a procissão principal nesse dia e os festejos a intensificarem-se nos dias anteriores.
- Onde começa a procissão?
- A imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres sai do Convento da Esperança e percorre um trajeto pelo centro de Ponta Delgada ladeado por tapetes de flores.
- Por que razão tantos emigrantes regressam para esta ocasião?
- Gerações de micaelenses que partiram para a América do Norte mantêm a devoção viva no estrangeiro e muitos programam a visita anual a casa exatamente para esta semana, para reencontrar família e comunidade.
- O que mais posso fazer em São Miguel durante a festa?
- Combine as celebrações com um dia nas Sete Cidades, nas águas termais e no cozido das Furnas, e um passeio de observação de baleias a partir de Ponta Delgada ou Vila Franca do Campo.
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