O Santo António em Lisboa: Sardinhas, Manjericos e Um Casamento ou Dois
Durante um mês, Lisboa enfeita-se de grinaldas, assa um pequeno oceano de sardinhas e casa uma dúzia de casais de uma vez. Junho é a verdadeira época festiva da cidade.

Foto: Decorated street during the Santos Populares festivities, Lisbon
Lisboa passa junho de bom humor. As grinaldas aparecem nas ruas estreitas logo no início do mês, os grelhadores a carvão saem da arrecadação, e pela segunda semana a cidade inteira cheira vagamente a sardinha e a manjerico. A razão oficial é Santo António, o santo preferido da cidade, nascido aqui em 1195 e conhecido, entre outras coisas, por arranjar maridos às solteiras. A verdadeira razão é que depois de uma primavera longa toda a gente quer estar na rua até muito tarde.
O ponto alto é a noite de 12 de junho, quando as Marchas Populares tomam a Avenida da Liberdade. Cada bairro histórico, Alfama, Mouraria, Bica, Madragoa e os outros, apresenta um grupo com fatos iguais, coreografia e uma música original, tudo a concurso por um troféu que conta muito mais do que se imagina. Existe desde 1932. Ver do passeio é grátis, o ambiente fica algures entre jogo de futebol e reunião de família, e os comentários das avós à sua volta são metade do espetáculo.
Quando o desfile acaba, a cidade dispersa pelas colinas para os arraiais. Alfama é o mais famoso, com as ruelas tão cheias que se anda com a multidão e não através dela, mas a Mouraria e a Graça valem tanto e são um grau mais calmas. O menu é igual em todo o lado e não precisa de tradução: sardinha no pão, caldo verde, bifana, cerveja ou vinho verde, e uma fatia de melancia se estiver a portar-se bem.
Há duas pequenas tradições que vale a pena conhecer. A primeira é o manjerico, o vasinho de manjerico que se vende por todo o lado em junho, com um cravo de papel e uma quadrinha amorosa espetada. Oferece-se a alguém de quem se gosta. A forma certa de o cheirar, e os lisboetas vão corrigi-lo nisto, é tocar de leve nas folhas e cheirar os dedos. A segunda são os Casamentos de Santo António, em que a cidade paga o casamento de uma dúzia de casais, juntos na Sé, a 12 de junho, numa tradição que vem de 1958. As noivas saem para a rua depois da cerimónia e a multidão inteira aplaude. É muito difícil não aplaudir também.
Notas práticas. O alojamento em Lisboa em junho esgota depressa, marque cedo. No dia 12 o centro é pedonal e o metro funciona até tarde. E não tente fazer tudo: escolha um lugar para o desfile e um arraial, e deixe que o resto da noite aconteça.
FAQ
- Quando são as festas de Santo António?
- Durante todo o mês de junho, com o ponto alto na noite de 12 para 13. É quando as Marchas Populares descem a Avenida da Liberdade e cada bairro faz o seu arraial.
- O que são as Marchas Populares?
- Um desfile a concurso em que cada bairro histórico apresenta um grupo com fatos, coreografia e uma música original. Existe desde 1932 e os lisboetas levam-no muito a sério.
- O que é um manjerico?
- Um pequeno vaso de manjerico com um cravo de papel e uma quadrinha, oferecido como prova de amor. A tradição manda cheirar tocando nas folhas, nunca nas flores, senão a planta morre.
- Para onde ir na noite de 12?
- Comece na Avenida para o desfile e depois suba a Alfama ou à Mouraria para os arraiais. Leve sapatos rasos, dinheiro, e conte ser puxado para dançar.
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