As Levadas da Madeira: Caminhar ao Lado da Água
Canais de irrigação centenários funcionam hoje como a rede de trilhos mais fotogénica do mundo.
Quando os primeiros povoadores da Madeira perceberam que o norte da ilha estava sempre ensopado e o sul seco mas cultivável, passaram os quatrocentos anos seguintes a cavar canais de pedra pelas montanhas para passar a água de um lado para o outro. A esses canais chamam se levadas, e os caminhos estreitos construídos ao lado, inicialmente para os trabalhadores que mantinham o caudal, são hoje um dos grandes sistemas de trilhos da Europa.
A primeira de que toda a gente ouve falar é a Levada do Caldeirão Verde. Começa nas Queimadas, um prado com casas de colmo que parece tirado de um conto, e segue pela encosta de um vale fundo, por floresta laurissilva e túneis abertos a pique na rocha. É preciso uma lanterna frontal para os túneis sem luz, e um corta vento, porque a neblina chega sem avisar. Ao fim de cerca de duas horas e meia, o trilho desemboca num anfiteatro circular de arribas com musgo e uma cascata de cem metros a despejar para um lago verde. Sinceramente, é ridículo.
Para algo mais calmo e curto, experimente a Levada das 25 Fontes, perto do Rabaçal. O caminho serpenteia ao longo de quedas a pique e abre num pequeno lago alimentado por vinte e cinco nascentes que escorrem da rocha. No verão enche, por isso vá cedo ou tarde. Se quiser um dia maior, ligue a com a Levada do Risco, que leva a uma cascata bem mais alta a curta distância.
Algumas coisas para levar e para saber. Calçado de caminhada a sério, não sapatilhas. Água e snacks, porque a maior parte dos trilhos não tem nada pelo caminho. Uma mochila pequena com impermeável, mesmo numa manhã de sol no Funchal. E respeite as levadas como merecem: os caminhos são estreitos, às vezes só com a largura de uma sandália, sem corrimão e com queda séria de um dos lados. Vá devagar, com tempo, e a ilha entrega lhe vistas para as quais nada online o preparou.
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