Serra da Estrela: A Montanha Mais Alta de Portugal no Inverno
Mantas de burel, abrigos de pedra de pastor e o cheiro a lenha aos 1993 metros, sim, Portugal tem inverno a sério.
As pessoas admiram-se sempre por haver neve em Portugal. Há, lá em cima na Serra da Estrela, onde o ponto mais alto do continente passa dos 1.900 metros e o inverno chega a sério, com geada nos carros e cheiro a lenha nas aldeias. Não são os Alpes e nunca fingiu ser. É uma serra onde se entra depois do almoço e às sete já se está a comer sopa ao pé da lareira.
A Torre é o destino óbvio, o topo do Portugal continental, com a sua torre de pedra e, em dia limpo, uma vista que se estende até Espanha. Em dia mau é nevoeiro fechado e uma fila de carros a pôr correntes, por isso confirme as condições antes de subir. A pequena estância de esqui é modesta, umas pistas e muitas famílias de trenó, e é mais divertida do que parece.
A melhor metade da viagem está mais abaixo. Manteigas fica num vale glaciar com paredes que parecem esculpidas, porque foram. Linhares da Beira e Belmonte têm castelos, ruas de granito e quase ninguém em janeiro. Loriga, encaixada no seu vale, é daqueles sítios onde um senhor lhe explica toda a geologia da região sem que ninguém tenha perguntado.
Coma bem, porque a comida de montanha aqui é coisa séria. O Queijo Serra da Estrela é de leite cru de ovelha e no inverno fica tão amanteigado que se corta a tampa e se colhe à colher para cima do pão. Junte um chouriço fumado, uma tigela de feijoada e uma garrafa de tinto do Dão. Nesta região ninguém o deixa sair da mesa com fome.
Conduza com cuidado, as estradas apertam e gelam nas curvas de sombra, e leve mais roupa quente do que parece razoável num país que associa a praias. Depois escolha uma casa com lareira e fique duas noites em vez de uma.
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