Rota Vicentina: A Pé pela Costa Mais Selvagem de Portugal
750 quilómetros de trilhos marcados ao longo do Atlântico, entre vilas piscatórias, cegonhas que nidificam nas falésias e praias inacessíveis por estrada.
O Trilho dos Pescadores percorre a costa sudoeste de Portugal, de Porto Covo até perto de Sagres, e é uma das grandes caminhadas europeias que ainda não está cheia de gente. Segue os carreiros que os pescadores usam para chegar aos seus pesqueiros nas arribas, o que significa que anda colado à borda o tempo todo, areia debaixo dos pés, ondulação atlântica em baixo e quase nenhuma sombra.
Caminha-se pior do que as distâncias sugerem. A areia solta esgota as pernas, o vento vem direto do mar, e há dias em que se sobe e desce quatro vales antes do almoço. Faça-o na primavera, com as arribas cheias de flores e temperatura amável, ou em outubro. No verão é possível, mas o meio do dia é duro.
As etapas têm entre quinze e vinte quilómetros e acabam em aldeias que não foram refeitas para o turismo: Almograve, Zambujeira do Mar, Odeceixe com a sua praia de rio entre dois distritos. Chega-se com sal na pele, larga-se a mochila numa pensão de família, toma-se banho e come-se peixe grelhado num sítio onde a ementa é o que entrou nessa manhã. Os preços continuam justos.
Leve mais água do que pensa, porque entre aldeias não há nada. Comece cedo. Veja onde põe os pés junto à borda, sobretudo com vento, e repare nas cegonhas brancas que aqui nidificam nos rochedos do mar, o único sítio do mundo onde o fazem.
Pode fazer tudo em dez ou onze dias, ou escolher três etapas e usar uma aldeia como base. De qualquer forma vai acabar queimado do sol, cansado e já a olhar para mapas para o ano seguinte.
FAQ
- Quantos dias são precisos para fazer a Rota Vicentina?
- Fazer o Trilho dos Pescadores completo de Porto Covo até Sagres demora cerca de dez a onze dias, a um ritmo de quinze a vinte quilómetros por etapa. Muitos visitantes preferem escolher três ou quatro etapas e usar uma aldeia, como Zambujeira do Mar, como base.
- Qual é a melhor época para caminhar na Rota Vicentina?
- A primavera, sobretudo abril e maio, e outubro são ideais, com as arribas cheias de flores e temperaturas amenas para andar na areia o dia todo. O verão é possível, mas o calor do meio-dia sem quase nenhuma sombra torna essencial começar cedo.
- A Rota Vicentina é difícil de caminhar?
- Cansa mais do que as distâncias planas sugerem, porque a areia solta esgota as pernas e algumas etapas sobem e descem vários vales antes do almoço. Um bom calçado e um ritmo controlado contam mais do que a forma física, e dias de descanso entre etapas longas ajudam.
- Onde se dorme ao longo da Rota Vicentina?
- Pensões familiares em aldeias como Almograve, Zambujeira do Mar e Odeceixe são a opção habitual, e os preços continuam razoáveis em comparação com a costa algarvia próxima. Reserve com antecedência na época alta, porque estas aldeias são pequenas e os quartos esgotam depressa.
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