Peneda-Gerês: O Único Parque Nacional de Portugal
Picos de granito, cavalos Garranos selvagens, lagoas glaciares e aldeias de pedra onde o tempo abranda ao ritmo dos chocalhos.
A primeira coisa que se nota no Peneda-Gerês é o som. Deixa-se o carro algures acima de Soajo, o motor arrefece a estalar, e depois só há vento nas folhas dos carvalhos e, ao longe, um chocalho. O único parque nacional de Portugal fica colado à fronteira com Espanha e não se parece com o resto do país. Sem bares de praia, sem filas. Só granito, água e algumas aldeias que seguem a vida em silêncio há séculos.
A subida já vale a viagem. A estrada trepa por carvalhais, atravessa ribeiros que se tornam cascatas a sério depois de uma semana de chuva, e abre depois em pastagens altas onde pastam vacas Barrosãs de pelo comprido e pequenos cavalos Garranos que o veem passar sem grande interesse. Ninguém tem pressa aqui, e ao fim de um dia também deixa de ter.
Durma numa aldeia de pedra, se puder. Soajo tem o seu conjunto de espigueiros, granito sobre pernas, que parecem deixados ali por uma equipa de cinema. A Sistelo chamam o pequeno Tibete português, e quando se veem os socalcos a subir a encosta em degraus verdes percebe-se porquê. Ambas têm pensões de família onde lhe servem cabrito assado devagar com batatas e enchem o copo de vinho verde sem perguntar.
Para caminhar, o Trilho da Calcedónia e o circuito da Mata da Albergaria cabem bem em meia manhã e não exigem preparação especial. Se quiser algo mais bravo, suba à Cascata do Arado ou encontre o Poço Azul numa tarde quente e nade até os dedos enrugarem. A água é fria ao ponto de arrancar um grito. Faz parte.
Algumas coisas aprendidas à custa própria: o tempo muda depressa, leve camadas mesmo em julho; botas valem mais do que ténis em granito molhado; há poucas bombas de gasolina, ateste antes de entrar no parque; e leve dinheiro, porque o café de aldeia que lhe faz o melhor bica da viagem quase de certeza não aceita cartão.
FAQ
- Como se chega ao Parque Nacional da Peneda-Gerês?
- A forma mais fácil é de carro a partir do Porto ou de Braga, cerca de 1 a 1h30 até aldeias como Soajo ou Campo do Gerês, já que os transportes públicos dentro do parque são escassos. Os postos de combustível são raros lá dentro, por isso abasteça antes de entrar.
- Qual é a melhor época para visitar a Peneda-Gerês?
- O final da primavera e setembro são ideais, com vales verdes, flores silvestres e rios com boas condições para nadar sem a azáfama do verão. Julho e agosto trazem calor forte, mais gente nos poços mais conhecidos e maior procura de alojamento, por isso convém reservar com antecedência.
- Onde se pode nadar na Peneda-Gerês?
- O Poço Azul e os poços junto à cascata do Arado são os locais mais procurados, com água fria e transparente mesmo no verão. Ambos exigem uma pequena caminhada a partir do parque de estacionamento mais próximo, por isso convém calçar sapatilhas apropriadas.
- Há cavalos selvagens na Peneda-Gerês?
- Sim, os pequenos cavalos Garranos andam soltos pelos pastos de altitude, sobretudo perto da Mata da Albergaria e dos trilhos acima de Soajo. Estão habituados a caminhantes e geralmente ignoram as pessoas, mas é melhor manter alguma distância.
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