Feira de São João em Évora: a Maior Feira do Alentejo
Todos os anos, em junho, Évora enche-se de música, bancas de louça e fumo de grelhados para a maior feira tradicional da região, com o templo romano como pano de fundo.
Há um cheiro particular que anuncia a Feira de São João antes de sequer se avistarem as tendas: fumo de carvão, enchidos na grelha e a poeira levantada por centenas de pés a atravessar o recinto. Esta é a maior feira tradicional do Alentejo, realizada em Évora todos os junhos, e mais do que um evento organizado, parece que a região inteira decide reunir-se num só lugar durante dez dias. Vêm famílias de pequenas aldeias que a maioria dos turistas nunca ouviu nomear, trazendo consigo o ritmo pausado que define a vida nesta parte de Portugal.
No coração da feira está um artesanato que quase não mudou ao longo de gerações. Oleiros de São Pedro do Corval, aldeia famosa por manter dezenas de olarias ativas, expõem cântaros, pratos e azulejos pintados em tons de azul e ocre. Perto dali, a cortiça é moldada em chapéus, malas, bases para copos e até mobiliário, lembrando que as vastas planícies de sobreiros à volta de Évora produzem grande parte da cortiça mundial. Trabalhos em couro, cestos de vime e linhos bordados completam as bancas, e regatear, feito com educação mas firmeza, faz parte da diversão.
A música dá alma à feira. O cante alentejano, canto coral a capela reconhecido pela UNESCO, ergue-se inesperadamente de grupos de homens e mulheres em círculo, com vozes que se sobrepõem em algo simultaneamente melancólico e alegre. Vale a pena simplesmente parar para escutar em vez de passar apressado, pois estas atuações espontâneas são tão autênticas como qualquer programa formal. A gastronomia segue o mesmo espírito generoso, com migas, porco preto, açorda e vinhos regionais servidos fartamente em longas mesas comunitárias.
Aconselho sempre os visitantes a não tratarem a feira como um recado de uma tarde apenas. A própria Évora merece atenção demorada, e as duas coisas combinam-se bem. A curta distância do recinto encontra-se o Templo Romano de Diana, com colunas coríntias improvavelmente intactas no centro de uma cidade europeia. Dali, as ruas caiadas de branco do centro histórico amuralhado, Património Mundial da UNESCO, conduzem naturalmente até à inquietante Capela dos Ossos, com paredes forradas de ossos de milhares de frades, um memento mori que se encaixa bem no espírito reflexivo do Alentejo.
Fora das muralhas, as planícies de sobreiro estendem-se até ao horizonte, pontuadas por porcos a pastar e árvores centenárias descascadas em zonas onde a cortiça foi colhida. Alugar um carro por meio dia para atravessar esta paisagem acrescenta profundidade real à viagem, mostrando de onde vem grande parte do que enche as bancas da feira. Venha pelo canto e pelo fumo dos grelhados, mas fique pela sensação de que, em Évora durante o São João, toda uma tradição agrícola e cultural se mostra de forma plena e sem pressa.
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FAQ
- Quando acontece a Feira de São João?
- Geralmente na última semana de junho, por altura do São João, e prolonga-se por cerca de dez dias.
- O que se pode comprar na feira?
- Louça artesanal de São Pedro do Corval, objetos em cortiça, artigos de couro, cestaria, queijos, enchidos e vinhos da região.
- Há cante alentejano na feira?
- Sim, grupos corais cantam frequentemente nas ruas e no recinto da feira, tradição classificada pela UNESCO como património imaterial.
- O que mais visitar em Évora?
- O Templo Romano de Diana, a Capela dos Ossos na Igreja de São Francisco e o centro histórico amuralhado, também Património Mundial da UNESCO.
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