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Cultura e Património

Os Países PALOP: A Língua Portuguesa Para Além de Portugal

O português é falado por mais de 260 milhões de pessoas e a maioria não vive em Portugal. Este guia explica o que significa PALOP, que países o integram e como essa presença marca o quotidiano de Lisboa.

30/08/20263 min de leitura

O português é língua oficial de nove países e é falado por mais de 260 milhões de pessoas, das quais só uma pequena parte vive em Portugal. Cinco desses Estados ficam em África e são conhecidos, em conjunto, pela sigla PALOP: Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. O grupo formou-se em 1992 para cooperação na educação, na saúde e na administração, e abrange Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. A Guiné Equatorial, que adotou o português como terceira língua oficial em 2007, juntou-se depois ao quadro lusófono mais alargado.

A instituição mais ampla é a CPLP, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, criada em Lisboa em 1996. Reúne os Estados africanos com Portugal, o Brasil e Timor-Leste, e o seu trabalho vai de acordos de mobilidade a um acordo ortográfico comum. O acordo de mobilidade da CPLP assinado em 2021 facilitou a circulação para estudo e trabalho entre os membros, e é uma das razões pelas quais os corredores universitários de Lisboa soam tanto a angolano ou cabo-verdiano como a português.

Cada país carrega a língua de forma própria. Angola, com mais de trinta e cinco milhões de habitantes, é o maior país de língua portuguesa em África, e o português de Luanda tem vocabulário e ritmo próprios a par do quimbundo e do umbundo. Moçambique, no Índico, combina o português com o changana, o macua e o sena, e a sua literatura, de Mia Couto em diante, esticou a língua de maneiras muito lidas em Portugal. Cabo Verde vive quase inteiramente em kriolu no dia a dia, guardando o português para a escola e a vida oficial. A Guiné-Bissau faz o mesmo com o kriol. São Tomé e Príncipe, duas pequenas ilhas vulcânicas no Equador, tem a maior proporção de falantes de português entre os Estados africanos, a par de crioulos locais como o forro.

A música é onde a maioria dos visitantes encontra este mundo pela primeira vez. A morna cabo-verdiana, levada ao mundo por Cesária Évora e inscrita pela UNESCO como património cultural imaterial em 2019, é a mais conhecida, mas o semba e a kizomba angolanos enchem pistas de dança por toda a Lisboa, e o gumbé guineense e a marrabenta moçambicana têm público próprio. A comida viaja igualmente bem: a cachupa, o guisado lento de milho e feijão de Cabo Verde, a muamba de galinha angolana, a caldeirada de peixe com coco das ilhas e os camarões com piri-piri que Moçambique levou à perfeição.

Em Portugal esta presença não é uma curiosidade, faz parte do tecido comum do país. As comunidades dos PALOP vivem em Lisboa, na Amadora, em Setúbal e no Algarve há gerações, e a sua comida, a música e o vocabulário estão dentro da cultura portuguesa contemporânea e não ao lado dela. Palavras como bué, no sentido de muito, chegaram à gíria continental vindas de Angola há décadas e são hoje usadas por adolescentes que nunca pensaram na sua origem.

Para explorar esta história a partir de Lisboa, há lugares que a tornam concreta. O Museu Nacional de Etnologia guarda coleções africanas assinaláveis. A Cidade Velha, em Cabo Verde, a primeira povoação europeia nos trópicos e Património Mundial desde 2009, fica a três horas de voo direto de Lisboa e dá cenário físico ao relato. Mais perto, o calendário dos festivais africanos e os restaurantes de bairro em Arroios e em Almada oferecem uma entrada mais quotidiana.

Perceber os PALOP muda também a forma como se ouve o próprio português. O português europeu é uma variedade entre várias, e as diferenças de sotaque, vocabulário e expressão entre Luanda, Maputo, Praia, Bissau e Lisboa são sinal de uma língua com vários centros e não com um só. Para quem viaja e se interroga sobre por que razão um pequeno país europeu é culturalmente legível em quatro continentes, é esta a parte da história que o explica.

Leitura relacionada no Touristic: Vasco da Gama e o Caminho Marítimo para a Índia: História e Onde a Ver, Os Palácios Enevoados de Sintra: O Devaneio de um Romântico, Os Grandes Eventos Anuais de Portugal: Um Calendário para Todo o Ano.

FAQ

O que significa PALOP?
Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, aos quais se juntou depois a Guiné Equatorial.
Qual é a diferença entre PALOP e CPLP?
Os PALOP abrangem apenas os Estados africanos. A CPLP, criada em 1996, é a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e inclui também Portugal, o Brasil, Timor-Leste e a Guiné Equatorial.
O português é a língua do dia a dia nesses países?
É a língua oficial e administrativa, mas a fala quotidiana passa muitas vezes pelo crioulo ou por línguas nacionais como o quimbundo, o umbundo, o changana ou o kriolu, usadas a par do português.
Onde se pode conhecer a cultura PALOP em Portugal?
Lisboa e Setúbal têm comunidades enraizadas há décadas. Procure a cachupa cabo-verdiana, a muamba angolana e os camarões moçambicanos nos restaurantes locais, e a kizomba, a morna e o semba nos cartazes de concertos.
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