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Paisagens

Os Palácios Enevoados de Sintra: O Devaneio de um Romântico

Torres amarelas, grutas com musgo e a magia estranha, quase de sonho, da Quinta da Regaleira.

28/03/20262 min de leitura

Sintra usa a neblina como um traje. Mesmo no verão, as serras por cima da vila parecem inventar tempo próprio, e dá para sair de Lisboa com um céu azul duro e chegar quarenta minutos depois a qualquer coisa entre a floresta e um sonho. Quem vive cá dirá que foi precisamente por isso que os reis de Portugal não pararam de construir palácios aqui.

O alvo óbvio é o Palácio da Pena, com as torres amarelas e vermelhas que se vêem do comboio. Vá cedo. Às onze horas já está desconfortavelmente cheio e a magia dilui se num mar de paus de selfie. O primeiro autocarro da manhã até ao topo justifica o despertador. Por dentro, os salões estão como a família real os deixou quando fugiu em 1910, com o pequeno almoço ainda meio posto numa das salas, um dos pormenores mais estranhos de qualquer palácio europeu.

Depois da Pena, desça a pé ou de carro até à Quinta da Regaleira. É o sítio que cala mesmo o visitante mais cínico. Os jardins estão cheios de túneis escondidos, ruínas falsas e um poço iniciático em espiral, onde se desce nove pisos para dentro da terra com lanterna e se sai por uma gruta junto a um pequeno lago. Parece menos um espaço turístico e mais uma história que alguém começou a construir em pedra e nunca acabou de contar.

Para almoçar, fuja dos cafés colados aos palácios e entre na vila velha. A Tascantiga serve pratinhos com bom vinho da região, e as queijadas, aqueles bolinhos de canela e queijo pelos quais Sintra é famosa, sabem melhor mornas, compradas na Piriquita da Rua das Padarias. Termine a tarde com um chá no Lawrence's, dito o hotel mais antigo da Península Ibérica, e veja a luz a mudar sobre as serras verdes lá fora.

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