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Cultura e Património

As Sete Maravilhas de Portugal: Uma Rota de Monumentos de Belém ao Douro

Em 2007, mais de meio milhão de pessoas votou nas sete maravilhas oficiais de Portugal. O resultado é um roteiro pronto a seguir por nove séculos de pedra, sal e ambição.

06/09/266 min de leitura

A 7 de julho de 2007, numa cerimónia no Estádio da Luz, em Lisboa, Portugal anunciou os vencedores de uma votação nacional que decorria há mais de um ano. Mais de meio milhão de pessoas tinha votado entre 21 monumentos finalistas, e o resultado ficou conhecido como as Sete Maravilhas de Portugal. A iniciativa foi inspirada na campanha mundial New7Wonders, mas a versão portuguesa revelou-se invulgarmente útil para quem viaja: as sete vencedoras formam uma rota coerente pelo país inteiro, de norte a sul, atravessando nove séculos de construção.

Torre de Belém, Lisboa

A torre sobre o Tejo é o monumento que a maioria das pessoas imagina quando pensa em pedra portuguesa. Construída entre 1514 e 1519 no reinado de D. Manuel I, defendia a entrada do porto de Lisboa e via partir as caravelas para África, para o Brasil e para a Índia. O arquitecto, Francisco de Arruda, tinha trabalhado em Marrocos, e nota-se: as guaritas coroam-se de pequenas cúpulas que ecoam mesquitas do norte de África, enquanto os balcões são puro estilo manuelino, esculpidos com cordas, coral e a esfera armilar do rei.

A torre vê-se melhor do rio, ou do passeio marginal logo de manhã, antes das filas. Depois atravesse para o Mosteiro dos Jerónimos, a sua maravilha gémea, e termine com um pastel de nata morno na pastelaria que os faz desde 1837. O nosso guia em busca do pastel de nata perfeito em Lisboa tem os pormenores. A torre é Património Mundial da UNESCO desde 1983, juntamente com o mosteiro.

Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa

Se a torre era o escudo de Lisboa, o mosteiro era o seu agradecimento. Financiado por um imposto de cinco por cento sobre as especiarias e o ouro das rotas comerciais, os Jerónimos demoraram um século a concluir e produziram aquilo que muitos consideram o ponto mais alto da arquitectura manuelina. O portal sul é uma pequena montanha de figuras esculpidas e, dentro da igreja, seis colunas esguias erguem-se para uma única abóbada de pedra que parece delicada demais para se sustentar.

É no claustro que a maioria dos visitantes emudece. Dois pisos de arcadas, cada arco diferente, com motivos marinhos trabalhados em todos os cantos. Vasco da Gama e o poeta Luís de Camões estão sepultados na igreja, o que diz muito sobre o que este edifício significa para o país. O nosso artigo sobre Vasco da Gama e a rota marítima para a Índia retoma a história a partir daqui.

Palácio da Pena, Sintra

Em dias limpos vê-se o Palácio da Pena a partir de Lisboa, uma mancha vermelha e amarela no topo da serra de Sintra. D. Fernando II construiu-o na década de 1840 sobre as ruínas de um mosteiro jerónimo, e construiu-o como um romântico do seu século imaginava o passado: ameias medievais, cúpulas mouriscas, um claustro forrado a azulejo, tudo reunido com afecto genuíno e quase nenhuma contenção. Foi um dos primeiros palácios românticos da Europa, décadas antes de Neuschwanstein.

O palácio insere-se num parque de duzentos hectares com sequoias importadas, vales de fetos e miradouros escondidos, e o conjunto faz parte da Paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO desde 1995. Vá no primeiro autocarro da manhã, se puder. Falamos da neblina e dos pormenores práticos em os palácios enevoados de Sintra.

Mosteiro da Batalha

O Mosteiro de Santa Maria da Vitória foi construído para cumprir uma promessa. Depois da batalha de Aljubarrota, em 1385, em que um exército português com cerca de um terço das forças castelhanas assegurou a independência do país, D. João I mandou erguer um mosteiro à beira do campo de batalha. Demorou dois séculos a construir e o resultado é a obra-prima do gótico português, classificado pela UNESCO desde 1983.

A Capela do Fundador guarda o túmulo de D. João I e da sua rainha inglesa, Filipa de Lencastre, de mãos dadas. À volta deles estão os infantes da dinastia de Avis, incluindo o Infante D. Henrique. O Claustro Real tem alguma da mais bela traceria da Europa e as Capelas Imperfeitas, deixadas abertas ao céu quando o dinheiro acabou, comovem precisamente por isso.

Mosteiro de Alcobaça

Vinte minutos a sul da Batalha, Alcobaça é o temperamento oposto: cisterciense, austero, enorme. Fundado em 1153 pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, tem a maior igreja do país, quase despida, e é essa a intenção. A ordem cisterciense desconfiava da decoração e a pureza da nave continua a fazer o seu efeito oito séculos depois.

O que atrai a maioria das pessoas, porém, é uma história de amor com um final terrível. Os túmulos de D. Pedro e de Inês de Castro ficam frente a frente no transepto, esculpidos como pequenas cidades de pedra. Pedro, herdeiro do trono, casou em segredo com Inês, assassinada, e, segundo a tradição, mandou-a exumar e coroar para que a corte lhe beijasse a mão. O detalhe da talha, das cenas de caça à roda da fortuna, merece uma hora sem pressa. O mosteiro é Património Mundial desde 1989.

Castelo de Óbidos

O castelo de Óbidos coroa uma vila muralhada que os reis de Portugal ofereceram às suas rainhas durante séculos, desde 1210. As muralhas fazem o circuito completo da vila e podem percorrer-se de ponta a ponta, com casas caiadas e buganvílias de um lado e a antiga planície da lagoa do outro. É a única das sete maravilhas que não consta da lista da UNESCO e, de certa forma, a mais divertida de visitar.

O castelo é hoje uma pousada, por isso a melhor forma de o viver é dormir lá dentro, ou pelo menos percorrer as ameias à hora de fecho, quando os visitantes de um dia partem. A vila em baixo é famosa pela ginja, o licor de cereja servido em copos de chocolate, e por uma densidade de livrarias que parece improvável num lugar deste tamanho.

Castelo de Guimarães

A rota termina onde Portugal começou. O castelo de Guimarães ergue-se sobre a cidade a que a tradição chama o berço da nação: D. Afonso Henriques, o primeiro rei, terá nascido aqui por volta de 1109, e a batalha decisiva de São Mamede travou-se à sua sombra em 1128. O castelo é um severo torreão de granito do século X com sete torres quadradas, restaurado no século XX depois de séculos de abandono.

O centro histórico em baixo é Património Mundial por direito próprio, um labirinto de palácios de granito, praças com arcadas e varandas carregadas de flores. Junte o castelo ao Paço dos Duques de Bragança, ao lado, e guarde tempo para o teleférico da Penha, com a vista sobre todo o vale.

Planear a rota

A ordem prática é começar no norte e descer para sul. Dia um: Guimarães. Dia dois: de carro ou de comboio até Óbidos, dormindo dentro das muralhas. Dia três: Alcobaça de manhã, Batalha à tarde. Dias quatro e cinco: Lisboa, com os Jerónimos e Belém no mesmo dia, e um dia de escapada a Sintra para o Palácio da Pena. As sete maravilhas ficam todas a menos de três horas umas das outras, o que faz da lista um excelente esqueleto para uma primeira viagem a Portugal.

Para um roteiro mais amplo que combine estes monumentos com praias e vinho, veja o nosso guia dos melhores lugares para visitar em Portugal.

Leitura relacionada no Touristic: Em Busca do Pastel de Nata Perfeito em Lisboa, Vasco da Gama e a Rota Marítima para a Índia, Os Palácios Enevoados de Sintra.

FAQ

Quais são as Sete Maravilhas de Portugal?
O Castelo de Guimarães, o Castelo de Óbidos, o Mosteiro da Batalha, o Mosteiro de Alcobaça, o Mosteiro dos Jerónimos, o Palácio da Pena e a Torre de Belém, escolhidos numa votação nacional concluída em Lisboa a 7 de julho de 2007.
Como foram escolhidas as Sete Maravilhas de Portugal?
Através de uma votação pública organizada em 2006 e 2007, inspirada na campanha mundial New7Wonders. Um júri seleccionou 21 monumentos entre 793 candidatos e as sete vencedoras foram escolhidas por voto telefónico e pela internet.
Quantos dias preciso para visitar as sete maravilhas?
Cinco a sete dias é um ritmo confortável. Guimarães fica no norte; Óbidos, Alcobaça e Batalha agrupam-se na região Centro; e os Jerónimos, a Torre de Belém e a Pena ficam a menos de uma hora de Lisboa.
Quais das sete maravilhas são Património Mundial da UNESCO?
Seis das sete: o Mosteiro de Alcobaça, o Mosteiro da Batalha, o Mosteiro dos Jerónimos com a Torre de Belém, a Paisagem Cultural de Sintra que inclui o Palácio da Pena e o Centro Histórico de Guimarães. O Castelo de Óbidos não consta da lista.
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