Uma Noite de Francesinha no Porto
A sandes derretida do Porto, dissecada: pão, três carnes, queijo derretido e um molho secreto à base de cerveja.
A francesinha é o que acontece quando um emigrante com saudades tenta recriar um croque monsieur francês num país onde a moderação não é propriamente uma virtude culinária. Conta se que um senhor chamado Daniel da Silva voltou nos anos 50 de muitos anos por França e Bélgica, pegou na ideia básica de duas fatias de pão à volta de fiambre e queijo e depois recusou se categoricamente a parar de juntar coisas. O resultado é uma sandes, tecnicamente, da mesma forma que uma catedral é tecnicamente um edifício.
Uma francesinha como deve ser leva pão de forma grosso com camadas de bife, linguiça fresca, salsicha fumada, às vezes fiambre, tudo selado debaixo de uma manta espessa de queijo derretido. Depois é batizada no molho, e o molho é a parte sobre a qual cada restaurante mente descaradamente. Tomate, cerveja, piri piri, um bocado de caldo, muitas vezes um salpico de Porto, e uma lista interminável de ingredientes secretos sobre os quais o cozinheiro sorri e não diz nada. Há casas que ainda lhe põem um ovo estrelado em cima. A maior parte serve com uma pequena montanha de batatas fritas estaladiças meio mergulhadas no molho, que existem sobretudo para o absorver.
Onde experimentar depende do tipo de noite que quer ter. O Café Santiago, no centro, é a escolha segura e famosa, cheio e iluminado, com molho mais doce. O Capa Negra II é mais pesado e à antiga, e costuma ser onde os portuenses mandam discretamente os primos de visita. A Cervejaria Brasão tem a versão que a crítica gastronómica parece achar a mais equilibrada, com um molho que não soterra o resto. Se quiser uma leitura mais leve e moderna, o Lado B na Cedofeita é o sítio.
Algumas regras de sobrevivência. Não peça uma sozinho a menos que tenha falhado o almoço. Não acompanhe com vinho, isto é um prato de cerveja, uma imperial gelada de Super Bock ou de Sagres é a resposta certa. Não espere fazer nada atlético nas horas seguintes. E não comece uma discussão sobre qual é o melhor molho à frente de mais do que dois portuenses, a menos que esteja preparado para passar o resto da noite nessa mesma conversa.
FAQ
- Onde comer a melhor francesinha no Porto?
- O Café Santiago é a escolha segura e famosa, com molho mais doce, enquanto a Cervejaria Brasão é muitas vezes apontada pela crítica como a mais equilibrada. O Capa Negra II é mais pesado e à antiga, e o Lado B na Cedofeita tem uma versão mais leve e moderna.
- Quanto custa uma francesinha no Porto?
- Uma francesinha normal com batatas fritas custa entre 9 e 14 euros, um pouco mais se pedir ovo estrelado ou mais carne. As bebidas são à parte, e uma imperial de Super Bock ou Sagres fica normalmente por 2 a 3 euros.
- O que leva o molho da francesinha?
- A base é sempre tomate e cerveja com piri piri, mas cada restaurante guarda a sua receita, muitas vezes com caldo, um salpico de vinho do Porto e uma lista de ingredientes secretos. Essa reserva faz parte da graça, e nunca há duas versões iguais.
- Dá para partilhar uma francesinha entre duas pessoas?
- É pesada o suficiente para muitos portuenses partilharem uma, sobretudo se pedirem uma salada ou mais batatas ao lado. Se for comer uma sozinho, salte o almoço antes, porque isto é uma refeição a sério e não um lanche.
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